Gênero

26 de Outubro é Dia da Visibilidade Intersexo

Vamos falar sobre isso? Preparamos um post com algumas informações essenciais para desfazer mitos que ainda existem sobre as pessoas intersexo. Bora aprender e compartilhar?

Nhaí!!!!

Hoje a gente vem falar um pouco sobre os significados das celebrações em torno do dia 26 de Outubro, o Dia da Visibilidade Intersexo. Preparamos um post com algumas informações essenciais para desfazer mitos que ainda existem sobre as pessoas intersexo. Bora aprender e compartilhar?

Pessoas Intersexo Existem

Intersexo é o termo utilizado para designar um grupo de variações na anatomia sexual ou reprodutiva. Geralmente são variações que “não se encaixam” perfeitamente nos padrões binários da sociedade e da biologia.

Ou seja:

Intersexo é o termo usado usado para designar uma variedade de condições de anatomia reprodutiva e sexual com as quais uma pessoa nasce e não se encaixa na definição típica de ‘sexo feminino ou masculino’. 

Intersexo é uma categoria socialmente construída que reflete variações biológicas reais. A natureza não decide onde a categoria “masculina” termina e a categoria “intersexo” começa ou onde a categoria “intersexo” termina e a categoria “feminina” começa.*

Pessoas intersexo somam, segundo pesquisas, cerca de 1,7% dos recém-nascidos em todo o mundo. As variações genéticas são raras e cercadas de muito preconceito e mitos diversos.

Um dos mitos mais comuns é o de que as pessoas intersexo têm aparelhos reprodutivos “feminino” e “masculino” plenamente desenvolvidos. Isso não é verdade: muitas vezes não é há a presença de características externas.

Essas variações na anatomia podem ser diversas e acontecer nas ordens cromossômica, fenotípica, genital e hormonal. No século XIX, a Medicina passou a ser a ciência prioritária na identificação e atendimento das pessoas intersexo, o que ocasionou tratamentos forçados e a imposição da lógica da ‘anormalidade’.

Hoje, a ciência já identifica mais de 40 variações de corpos diversos, todos com características que vão além das nomenclaturas binárias.

Por preconceito e para atender os padrões binários da sociedade, crianças recém nascidas são submetidas a cirurgias estéticas e mutilações diversas que buscam “enquadrá-las” na lógica “feminino” ou “masculino”. Essas cirurgias, realizadas precocemente, não levam em consideração a autonomia corporal e o direito à integridade genital.

Ao nascer no Brasil, por exemplo, uma criança precisa ser “classificada” em uma Declaração de Nascido Vivo – um documento essencial para efetuar o Registro de Nascimento nos cartórios.

Existem casos relatados de famílias que, ao negar submeter seus bebês a cirurgias mutilantes logo após o nascimento enfrentam problemas para receber este documento e, consequentemente, garantir assistência médica para mãe e para recém-nascidas.

Histórico do 26 de Outubro

O dia da visibilidade Intersexo é celebrado em memória a uma manifestação pública de pessoas intersexo que aconteceu no dia 26 de outubro de 1996, em frente à Academia Americana de Psiquiatria, em Boston, nos Estados Unidos.

Em 2013, Intersex Human Rights Austrália criou uma bandeira para representar as pessoas intersexo usando as cores amarelo e roxo, representando no círculo – símbolo de complitude – todas as potencialidades das pessoas intersexo.

A realidade de preconceito e todos os mitos que cercam a existência das pessoas intersexo fazem com que, apesar dos avanços nos direitos civis para pessoas LGBTQIA+, as dificuldades para esse grupo ainda são muitas:

  • Em 2013, o Senado Australiano reconheceu que a esterilização forçada de pessoas intersexuais é uma prática antiética.
  • Na Alemanha, em 2014, senadores exigiram mais direitos civis para pessoas intersexuais. 
  • Em 2016, a ONU se manifestou contra práticas médicas abusivas, como médicos que forçam pacientes a escolher um gênero físico.
  • Em 2019, o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas adotou uma resolução que expressa preocupações sobre regulamentos, regras e práticas discriminatórias existentes no mundo do esporte e que afetam diretamente atletas intersexo.

Para ampliar ainda mais os horizontes

Você sabe a origem do termo ‘Hermafrodita”?

Hermafrodita é um termo utilizado no passado, na Biologia e na Medicina, para designar espécies não-humanas e que significava basicamente: espécies que apresentam dois sistemas reprodutores em um mesmo organismo. Atualmente, o termo não é mais usado em nenhuma das ciências –  os termos corretos são: espécie dióica e espécie monóica.

Hermafrodita nunca foi um termo usado para designar seres humanos!

Hermafrodita é um termo carregado de preconceitos e reduz a pessoa intersexo à características fenótipas – a presença concomitante da parte externa dos órgãos reprodutores  “masculino” e “feminino”.

Ser uma pessoa intersexo está relacionado às características biológicas do sexo, e é diferente da orientação sexual e da identidade de gênero: 

uma pessoa intersexo pode ser heterossexual, gay, lésbica, bissexual ou assexual, e pode se identificar como mulher, homem, ambos ou nenhuma das duas coisas.

Para parte da comunidade médica, essas variações biológicas ainda constituem desvios de desenvolvimento sexual que precisam ser tratados com cirurgias e/ou terapias hormonais.

Para indivíduos que assumem as particularidades de seus corpos e se identificam como pessoas intersexo, a questão não pode ser tratada apenas pela ótica médica.

A Intersexofobia é a discriminação baseada em características sexuais/corporais contra as pessoas intersexo.

Assista o vídeo ‘Afinal, o que é ser intersexo?’ Com a ativista Dionne Freitas:

Para encerrar, selecionamos textos que vão ajudar a ampliar ainda mais seu repertório sobre a existência das pessoas intersexo e todos os dilemas enfrentados por elas desde o nascimento:

*Definições segundo a Sociedade Intersexual Norte Americana.

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